Crenças limitadoras do dever

Leonila Henriques 4 min read

Transformar o "dever" em "escolha"

Este artigo é para ti se “dever” é uma palavra que te pesa...restringe...condiciona…
E se o queres transformar numa escolha que te empodera!

Quantas vezes não dizes “gostava muito mas tenho de…”? Pode ser como resposta aos outros mas mais frequentemente é a ti mesma, certo? Alguma vez te questionaste porque o fazes?

Quando me sentia na mesma situação a resposta era: porque deve ser; porque é o correcto; porque é suposto… Nada poderia ser mais contraditório que isto! Quem afinal decide o que é certo ou errado? Certo ou errado para quem (tu ou os outros)?
Só me libertei do "dever", o tal “tenho que”, depois de perceber de onde ele vinha e o redefinir, e desafio-te a fazer o mesmo.
É das tuas prioridades que surgem os teus deveres. Para mudares o teu “dever” tens de o entender. E para entenderes de onde vem o teu “dever” é preciso perceberes o que para ti tem valor.


Todas as tuas ações são regidas pelas tuas crenças e valores. São essas crenças que formam a grelha pela qual vês a tua realidade, ages e decides.

A dificuldade está em perceber que “não tens de” nada e a ninguém… que esse sentimento vem das tuas escolhas apenas. Ora, isto tem um lado bom e um lado mau:

  • Por um lado, será difícil, assim como tudo o que requer mudança interior é.
  • Por outro, só depende de ti e só por ti é controlado!

Diz comigo: “Boa, vamos a isso!”

Começamos pelas perguntas difíceis e o que podes fazer para as facilitar.

O que é prioritário na tua vida?

Começa por identificar as áreas fulcrais à tua felicidade. Dentre essas, hierarquiza pelas mais importantes para as menos, mas mesmo assim, importantes.

Por norma, esta é a hierarquia que vai orientar o que tu fazes pelo “bem maior”.
Quantas vezes não deixaste de descansar para ir arrumar a casa para a família?
Isso vem do facto do valor família estar acima do valor auto-estima.
Lembras-te quando não foste de férias para poderes renovar a cozinha?
Isso vem do valor conforto estar acima do valor lazer.

É dentre este pensamento, inconsciente na sua maior parte, que as tuas decisões são feitas.

Passo 1: identifica e toma consciência das tuas prioridades

Quão mais feliz serias se na tua vida houvesse “escolher” em vez de “dever”?

A ação exige de ti consentimento. Tu não te levantas de manhã sem enviar ao cérebro a mensagem para o fazer. E só o fazes porque há benefício nessa ação.

Quer seja porque o pequeno-almoço te espera, vais trabalhar, ou tens um dia de férias pela frente...há benefício em levantares-te da cama.
Podemos todos concordar que há dias mais fáceis de levantar que outros. Como ao levantar da cama pensando que vais ter um dia espectacular, em vez de uma reunião chata....
O problema está em que muitas vezes fazes as ações focando a dificuldade e estando inconsciente do benefício.

Mas se não podes garantir como vai ser o teu dia, como garantir que te levantas pensando no positivo?

Ao tomares consciência que quem controla a ação és tu, reconheces a oportunidade de a fazer ou não.

O mesmo acontece com aquilo que consideras “tens de fazer”. Tu escolhes fazê-lo porque te dá um determinado benefício final que para ti é importante. Da próxima vez que pensares “tenho de arrumar a casa”, foca o benefício a adquirir da acção. Pensa antes “escolho arrumar a casa porque me sinto contente e confortável quando ela está arrumada”.
Consegues fazer este exercício para todos os teus “deveres”?

Passo 2: aprende a resignificar as tuas ações focando o beneficio que procuras obter

Pro-tip: normalmente, quando a ressignificação é muito difícil é porque a acção não te traz realmente benefício nenhum… Nesses casos, vais continuar a escolher fazê-la?

Será que fazeres algo contrariada pelo “bem maior” é de facto bom?

Lembras-te da analogia da máscara de oxigénio no avião? Só conseguimos beneficiar o próximo se primeiro estivermos bem.
Será que as pessoas à tua volta exigirão de ti o mesmo se soubessem que o fazes contrariada?

Passo 3: comunica aquilo que fazes em esforço pelos outros, pela sociedade, pelo estigma.

Eles podem deixar de to exigir ou juntos podem encontrar alternativas para o fazer. Tu podes deixar de te importar com opiniões alheias. Só saberás se tentares!

É da consciência e decisão na tua ação que balizas o controlo que os outros exercem em ti! Garante que na tua vida há mais escolhas que deveres, mais benefícios que consequências. Já começaste?

Crenças Limitadoras