O futuro é das crianças e com a educação orientada, a segurança está ao alcance de todos.

A ARS, a Administração Regional da Saúde do Norte, e o próprio ministério da saúde afirmam, num estudo relativo ao ano escolar 2014/2015, que os acidentes são a principal causa de morte de crianças até aos 19 anos, representando 16,62% do total dos casos.
Dos 0 aos 4 anos os acidentes mais comuns são os domésticos, como quedas e intoxicações. Mas dos 5 aos 19 anos são os acidentes na escola.
O número de acidentes registados mostra um alerta gigante aos pais e educadores. É preciso intervir na prevenção, e com urgência.

O 1º, 2º e 3º ciclo apresentam mais de 80% do registo de acidentes. Falamos na faixa escolar onde a criança é fisicamente autónoma, mas claramente mal preparada em termos de segurança física.
Vejamos o caso do agrupamento de escolas D. Manuel de Faria e Sousa, no ano de 2014/2015, relativamente ao local de maior frequência de ocorrência de acidentes.

Como se pode verificar, o local onde é mais frequente a ocorrência de um acidente, é no recreio/pátio.
Tal já seria de prever, visto ser o local onde as crianças circulam mais livremente, e onde se torna impossível de controlar todas as situações. Mas será que isto não é normal?… Devem estar a questionar… Será que as crianças magoarem-se no recreio, não é algo normal e típico?! Sim, é. Mas agora vejamos, será aceitável que o local onde supostamente a criança vai para se formar, seja uma fonte de perigo tão grande? E pior, que não tenha consciência desses mesmos riscos a que está exposta? Os perigos são reais, os riscos eles existem e as consequências, essas, podem ser fatais.
“Os acidentes, são acidentes, apenas para os ingénuos.” George Santayana
Nota-se ainda, no estudo acima referido, que:
- As condições do “piso” contribuem para 40 a 50% dos acidentes;
- Apenas 15% do tempo escolar é passado nos recreios, mas é neste local que 25 a 35% dos acidentes ocorrem;
- Na sala de aula, a percentagem de acidentes varia entre 15 a 35% (uuuaau);
- Os acidentes em laboratórios e oficinas são os que ocorrem em menor número mas são os mais graves (provavelmente devido ao uso de equipamentos de forma desadequada);
- Os acidentes no ginásios e campos de jogos variam entre 15-20%.
Então, como educar para a segurança? O que deve ser intervencionado na escola? Como podem os pais ajudar os professores e educadores nesta área?
Estes assuntos são muito pertinentes, são alvo de discussão eterna, e por isso escrevo sobre isso, porque na minha opinião, enquanto especialista em segurança e saúde, mas também como mãe, é que é na educação que tudo começa, na educação para a prevenção, para o zelo, por si e pelos outros.
“É imperativo que a sociedade garanta a segurança das crianças como um direito humano fundamental” (European Child Safety Alliance,2004)
Patrícia Silva
(Especialista em Segurança e Saúde no Trabalho)